As praias de Agnès

Vamos voltar para casa com um cartaz gigante, igual a esse ao lado, autografado pela diretora Agnès Varda.

Certamente o melhor recuerdo da viagem. Altamente simbolico.

Agnès Varda é precursora da Nouvelle Vague, o movimento francês que eclodiu no início dos anos 60 e tem Jean-Luc Goddard e François Truffaut como seus mais conhecidos representantes.

Agora, “vivendo” na regiao de Montparnasse, somos praticamente « vizinhos »  da cineasta.

Vimos este filme há alguns meses, em Buenos Aires, e saimos encantados.

É um documentario autobiográfico, As Praias de Agnès, que fala desses lugares sem idade, onde o céu e o mar se tocam, sempre iguais, sempre mutantes, sempre recomeçados. Uma espécie de on the road poético, no qual ela vai descobrindo as várias praias da sua vida, a cada passo dos caminhos que tomou.

«Estou convencida de que se abrissem as pessoas se descobririam paisagens dentro delas. Dentro de mim estão praias.»

Num dos momentos do filme, Varda cobre de areia o asfalto da rua Daguerre, onde mora, para reinstalar  seu escritório na praia. Foi exatamente onde conversamos  com ela na semana passada.

Fiquei emocionada.

PS: estou num computador que nao tem todos os acentos…sorry.

Novo espaço para fotografia em Paris

Subway Portraits, Walker Evans (Nueva York, 1938-1941)

No final de semana fomos à inauguração do Le Bal, um novo espaço dedicado a fotografia em Paris, criado pela Associação de Amigos da Magnum.

O lugar leva esse nome porque foi um antigo salão de baile. Hoje abriga também uma livraria e um café.

De acordo com a diretora do Le Bal, Diane Dufuor, a missão do empreendimento é formar “citoyens regardeurs”, “fazer compreender aos jovens como as imagens se formam e o que condiciona nosso olhar sobre elas”. O investimento foi de 2 milhões de euros.

No momento há dez exposições! Isso mesmo! Entre elas, “Walker Evans – La Page Imprimé”, que apresenta as revistas onde foram mostradas pela primeira vez a famosa serie de fotografias de anônimos, sacadas pelo fotografo americano nos metros de Detroit, Chicago e Nova Iorque entre 1930 e 1940.

A programação está no site oficial, http://www.le-bal.fr/

Aproveito para deixar a dica de um excelente livro sobre fotografia que tem me acompanhado nessas férias, chamado “The ongoing moment”, de Geoff Dyer.

Saiu no Brasil com o nome de “O Instante Contínuo – uma história particular da fotografia”, pela Companhia das Letras. Uma conversa, uma descoberta.

Estou gostando muito do livro, embora tenha encontrado críticas menos favoráveis, como esta aqui.

Endereço do LE BAL

6, impasse de la défense
Métro Place de Clichy – lignes 2,13
Bus 54, 74, 81

“Trate bem os estranhos, eles podem ser anjos disfarçados”

É a terceira vez que venho a Paris, mas é a primeira que entro na Shakespeare and Company, considerada por muitos críticos e leitores a livraria mais charmosa do mundo.

O espaço foi fundado em 1919 pela livreira e editora Sylvia Beach numa ruela da Rive Gauche e tornou-se o epicentro da agitação cultural dos anos 20 e 30.

Nomes da literatura mundial como James Joyce, Hemingway, Fitzgerald e Gertrude Stein, além de personalidades do cinema e da música, fizeram da Shakespeare and Company o endereço da criatividade no período entre as duas guerras mundiais.

Mais que uma livraria, o lugar é uma biblioteca e até hoje um refúgio para aqueles que estão com os bolsos vazios.

Em troca de um pouco de trabalho no caixa ou algumas hora de faxina, os escritores podem dormir em camas armadas entres milhares de livros empoeirados. Calcula-se que mais de 40 mil já o fizeram.

Entre eles os escritores beats Allen Ginsberg, William Burroughs e Gregory Corso, além do romancista Henry Miller e de Anaïs Nin.

Para completar, um piano

A livraria abriga raridades, como manuscritos de escritores célebres, as autobiografias de cada uma das centenas de pessoas que ali se hospedaram e parte da biblioteca pessoal de Graham Greene, que o proprietário arrematou na ocasião da morte do escritor.

No andar térreo estão os livros a venda.

No primeiro andar, depois de subir por uma escadinha de madeira milenar e estreitíssima, a gente dá de cara com uma sala abarrotada de obras que são apenas para consulta.

Fotos nas paredes, bilhetes e um estranho cubículo de madeira, envolto em tecido, que abriga uma mesinha, uma cadeira e uma velha máquina de escrever.

Alem, é claro, de um convite para que a gente deixe um verso.

Lema da livraria

Ah, para os cinéfilos, uma informação: é na Shakespeare and Company que começa o filme Antes do Pôr do Sol, com Ethan Hawke e Julie Delpy.(…).

Espie a sequencia AQUI. A livraria aparece depois de um minuto e pouco de filme.

Para quem quiser ler mais sobre este espaço, deixo a sugestão do livro  “Shakespeare and Company – Uma livraria na Paris do entre-guerras”, de Sylvia Beach, editado no Brasil pela Casa da Palavra.

E um pequeno documentário sobre este lugar mágico. Está em francês, infelizmente, mas tem belas imagens. Há outro vídeo AQUI, em inglês.

Paris au Vert

Paris conta com mais de 400 áreas verdes. Isso mesmo! Quatrocentas!

Esses pulmões se dividem em bosques (bois), parques e jardins.

Há lugares que são um verdadeiro esplendor, como o Jardim de Luxemburgo (foto acima), mas a verdade é que os parisinos transformam qualquer cantinho numa área prazerosa de estar.

Inclusive o nosso, aqui na nossa casa temporária. Um petit jardin que não passa de 3×3 metros e é uma delícia.

Todas as informações sobre Paris au Vert estão AQUI.

Museu Rodin

Para quem vem a Paris, melhor reservar uma tarde inteira para conhecer o Museu Rodin com calma.

Além de um acervo enorme com as principais obras do escultor, e também de Camille Claudel, o próprio local é um atrativo a parte.

Foi uma surpresa para mim, que não esperava uma experiência tão intensa.

O museu funciona no antigo Hotel Biron, construído a princípios do século XVIII, onde o artista viveu nos últimos anos. É uma mansão com dez salas no térreo e mais oito no primeiro andar.

Na parte interna, o acervo inclui os trabalhos mais famosos de Rodin, como O Beijo, e ainda pinturas de Van Gogh, Monet e Renoir.

Do lado de fora, um jardim de três hectares, abriga outras esculturas, como O Pensador (que tem como pano de fundo a cúpula de Les Invalides e a Torre Eiffel), As Portas do Inferno, Os Burgueses de Calais e Balzac.

O hotel serviu de locação para diversos filmes. Entre os diretores que decidiram rodar por lá estão James Ivory, Jean-Luc Godard e Robert Altman.

Mais recentemente, Woody Allen. No filme “Midnight in Paris”, que estréia no ano que vem, Carla Bruni interpreta uma guia do Museu Rodin.

Mas desta vez, infelizmente, ela nao estava lá!

Endereço: 79 rue de Varenne 75007 Paris – Metrô linha 13 estação Varenne (http://www.musee-rodin.fr/)

Cortázar ilustrado

“Me aterraría (¡no me ha sucedido, por suerte¡) pasar un día apurado frente a Notre-Dame y echarle apenas la ojeada sin intencionalidad que se dedica a los bancos o a las casas de renta. Quiero que la maravilla de la primera vez sea siempre la recompensa de mi mirada”.

Carta a los Jonquiéres. Pag.36

É luxo só

Mármore, bronze, ouro, veludo.

Nada do que se diga, nem nenhuma foto, pode dar a dimensão do luxo do Palácio Garnier, a casa da Ópera de Paris.

O local foi construído na época de Napoleão III e leva o nome do arquiteto que o projetou, Charles Garnier. A obra levou 15 anos ininterruptos para ser terminada, o que ocorreu somente em 1875.

A sala de espetáculos (onde tive o prazer de ver o balé Giselle, em 2005), tem capacidade para 1.900 pessoas, é iluminada por um candelabro gigante, que pesa oito toneladas e tem o teto pintado por Marc Chagall.

Deixo voces com algumas fotos.

Quem puder, não perca o documentário “La Danse”, de Frederick Wiseman, que durante 12 semanas registrou absolutamente tudo que acontece nos bastidores do Opera.

O filme havia estreado em Buenos Aires antes de a gente viajar, e deve estar nas salas do Brasil também. Por enquanto, fiquem com o trailer.

Pére-Lachaise e os cemitérios do mundo

Domingo fomos conhecer o Pére-Lachaise, o maior cemitério de Paris, com 43 hectares e 70 mil jazigos, adornados seis mil árvores.

O local foi projetado no início do séc. XIX pelo arquiteto Alexandre Théodore Brongniart e segue um estilo neoclássico. É bem diferente dos cemitérios de Buenos Aires, mas também muito bonito.

Nesse local estão enterrados, entre outros célebres, Frédéric Chopin, Edith Piaf, Maria Callas, Marcel Proust, Honoré de Balzac, Oscar Wilde, Yves Montand, Simone Signoret, Sarah Bernhard, Amedeo Modigliani, Allan Kardec, Isadora Duncan…É impressionante.

Deixei um colar de jasmins com florzinhas vermelhas para Jim Morrison

Homenagem deixada por alguém no túmulo do fotógrafo Félix Nadar

Achei muito interessante a exposição Cimetieres du Monde, que pode ser vista no local até o dia 2 de novembro. São fotos de cemitérios do mundo todo, captadas pelo fotógrafo Jean Claude Garnier durante 30 anos.

As imagens podem ser vistas no site dele, AQUI. Vale a pena dar uma espiada.

Reparem que curioso este que está em primeiro plano...