Cartas de Baires: Da caverna para a televisão

Existe uma “argentinidad”, com uma natureza clara e definida?

Quem sou? Sou sempre o mesmo? Necessito saber quem sou? Sou o que quero ser? Ou sou o que outros necessitam que eu seja?

Estas são algumas perguntas do episódio 9 – sobre Identidade – do programa “Mentira A Verdade – Filosofia a Marteladas”, uma das três excelentes produções sobre filosofia que pode ser vistas atualmente no Canal Encuentro.

Vejam bem, eu disse três! Em se tratando deste tema, é uma façanha. Um exemplo de como a televisão argentina às vezes tem suas frestas, por onde entram temáticas que a lógica comercial jamais aceitaria.

O ciclo “Mentira A Verdade” estreou semana passada sua segunda temporada. Em 2011, foi o primeiro programa argentino a ser premiado na 46 edição do Japan Prize, que reconhece as melhores iniciativas educativas do mundo.

Conduzido pelo filósofo Darío Sztajnszrajber, o programa está destinado a jovens entre 12 e 19 anos. Mas eu, que tenho 43 e vim de uma formação escolar onde a palavra filosofia não existia, me “enganchei”, como dizem aqui. Justamente na telinha de um dos novos Embraer que a Aerolíneas Argentinas comprou do Brasil. Numa viagem e entre as nuvens – ótimo lugar para filosofar.

A partir de situações de ficção, cada episódio vai desgrenhando os diferentes elementos relacionados a um tema específico. E mediante planteios filosóficos, questiona e poe em duvida o que em geral se considera verdade absoluta sobre determinada questão.

“A cultura impõe um caminho como se fosse único e aí entra em campo o papel da filosofia, que é mostrar outras perspectivas. Isso termina gerando uma multiplicidade de perguntas, uma vertigem e, em algum ponto, angústia, porque há uma tendência muito forte do homem de agarrar-se ao seguro. E outra em sentido oposto. O humano tem esta contradição. Assim como necessitamos certezas, também necessitamos explorar”, explica Darío.

Os outros dois programas sobre o mesmo tema são “Filosofia Aqui e Agora”, conduzido por Pablo Feinmann – em quinta temporada (!) – e “Filosofia: um guia para a felicidade”.

Nas duas primeiras temporadas, Feinmann tratou de acercar os telespectadores a pensadores como Descartes, Kant, Heidegger, Marx e Sartre, por exemplo. Depois, analisou as bases do pensamento e argentino e agora parte para o fundamento do pensamento latino-americano.

Já “Filosofia: um guia para a felicidade” aborda temas como a ira segundo Sêneca, o amor na visão de Schopenhauer, a felicidade por Epicuro ou a dificuldade vista por Nietzsche. Todos podem ser vistos e descarregados no site do Canal Encuentro.

Especialmente em uma época em que todos querem respostas rápidas e definitivas, me parece um luxo poder parar, nem que seja meia hora, para reflexionar sobre temas tão abstratos – e complexos – como o perdão, o tempo, o real, o moderno, a amizade, a felicidade, o amor, a morte. E a identidade. 

Texto no Noblat AQUI

2 pensamentos sobre “Cartas de Baires: Da caverna para a televisão

  1. HE VISTO MUCHAS VECES EL PROGRAMA DE PABLO FEINMAN EN TV Y ME HA PARECIDO MUY BUENO.ÉL DIÓ HACE UNO O DOS AÑOS ATRÁS UNAS CHARLAS Y EL LUGAR SE LLENABA DE GENTE MUY ATENTA. FEINMAN RESPONDÍA A TODAS LAS PREGUNTAS.EL CANAL ENCUENTRO
    ES UN EJEMPLO.DE BUENA POLÍTICA EDUCATIVA.
    Y TU BLOG ES MUY ÚTIL PARA DIFUNDIR ESOS PROGRAMAS

  2. Obrigado, Gisele. fica evidente uma grande diferença… aqui continuamos com o enorme sucesso de “As Empreguetes”ou o nome oficial da marmelada global Cheias de Charme, Avenida Brasil, oh!

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