Hoje tem festinha em La Boca, a partir das 19h, para comemorar os 10 anos da editorial Eloisa Cartonera. A Eloisa é uma cooperativa que desde 2003 produz livros artesanais, com capas feitas de papelão comprado dos cartoneros, os catadores de papel da Argentina. Já são mais de 150 títulos editados, só de gente boa. Ricardo Piglia, Alan Pauls, Mario Bellatin, César Aira.
Em 2010 fiz uma matéria sobre eles para o Noblat. Deixo o link AQUI para quem não leu o texto na época.
Quem quiser aparecer, a reunião será Aristóbulo del Valle, 666. A galera promete música e poesia.
Um fórum para discutir o futuro das cidades e o papel da bicicleta. Só podia ser na minha Porto Alegre! O evento vai de 23 a 26 de fevereiro e contará com a presença do ativista norteamericano Chris Carlsson, que em 1992 convidou amigos para pedalar em São Francisco, no passeio que marcaria o início da Massa Crítica no mundo.
Carlsson participa, junto com o diretor geral da Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade), Thiago Benicchio, do painel sobre o “cicloativismo como agente de mudança para cidades mais humanas”. A iniciativa partiu da reunião de moradores de Porto Alegre que utilizam a bicicleta para a prática do esporte, transporte urbano, lazer, bem como empresários do setor de comércio e serviços.
Com inscrições abertas para oficinas autogestionadas, o Fórum também trará temas como Cycle Chic, ciclismo veicular, transporte de cargas por bicicleta, mecânica básica de bicicletas, comunicação não-violenta, cicloturismo, a bicicleta em projetos sociais, alimentação para oatleta de ciclismo, ciberativismo, a bicicleta no ponto de vista jurídico, entre outros.
Passeios especiais também estão previstos nos dias do fórum: um bike city tour na quinta-feira, 23/02, passando pelos principais pontos turísticos de Porto Alegre, e um passeio dominical reunindo os conhecedores das bicicletas reclinadas e demais ciclistas. E em 24/02, o Fórum se junta à Massa Crítica, na bicicletada tradicional da última sexta-feira do mês, com concentração a partir das 18h15 no Largo Zumbi dos Palmares.
A missão desta pessoa é retirar do recinto todos os bailarinos que não estiverem respeitando as regras mínimas de convivência de um baile social. Quer dizer, todos os “sem noção”. Que não são poucos.
Em tempos de tango novo e egos velhos, o que não faltam nas milongas são casais querendo realizar, num ambiente apertadinho, o “super twist carpado dos voleos”, levando adiante quem estiver pela frente. Para quem gosta de bailar “al piso”, como se diz por aqui, sem muitos floreios altos, dá sempre um pavor quando a gente vê um salto agulha descontrolado vindo em nossa direção.
Pois agora nossos problemas acabaram! Quem não respeitar os outros bailarinos leva cartão amarelo!
Na verdade, na verdade, as regrinhas que estão acima bem poderiam ser resumidas em um conceito: bom senso.
El Club Atlanta, que está ressuscitando o guarda-pistas, também renasce depois de décadas de inatividade. O lugar foi um dos mais importantes dos anos 1940e 1950. Por lá passaram as grandes orquestras de Di Sarli, Rodolfo Biaggi, Joaquín Do Reyes, Miguel Caló, Juan D’Arienzo, Alfredo De Angelis e Osvaldo Pugliese.
Hoje à noite será realizada uma prática, relembrando as seqüências de grandes milongueiros, e domingo a primeira a primeira Matiné do Atlanta, das 16h às 20h30. A casa fica em Humboldt 390, em Villa Crespo, vizinho do Querido.
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
(Haiti, Caetano Veloso)
Lembro a resposta do meu editor quando, em 2003, em Brasília, pedi a ele que me mudasse da editoria de política para a de meio ambiente. “Você quer sair da capa para ir para a última página?”. Na época já não tinha a mínima dúvida sobre isso e hoje, infelizmente, as manchetes mostram que minha decisão foi acertada.
Semana passada, li várias matérias sobre a chegada de haitianos ao Brasil e também o relatório Estado da Migração Ambiental 2010, divulgado em Genebra. Neste último, o texto destaca que os deslocamentos populacionais ligados aos desastres ambientais já superam os provocados por conflitos armados.
No caso do Haiti, naturalmente afetado por furacões e terremotos, se somam outras tragédias, como a redução da cobertura vegetal para 1%, falta de água, epidemias e governos que a gente sabe bem como foram.
As cifras são significativas: em 2008, 4,6 milhões de pessoas tiveram que deslocar-se em função de conflitos armados, contra 20 milhões que o fizeram por problemas ambientais. Em 2010, o número de atingidos por questões climáticas subiu para 38 milhões. O numero de refugiados políticos é de 16 milhões de pessoas.
O documento se concentra no Haiti e Chile (terremotos), Franca (tempestades), Rússia (incêndios florestais), e Paquistão (inundações) e pode ser lido na íntegra AQUI. Menciona ainda três cases do Brasil – migração pela seca no Nordeste, desmatamento na Amazônia e inundações no Rio de Janeiro. Velhos conhecidos.
Escrevo esta coluna porque um país que cresce com pouco cuidado com o meio ambiente, como o Brasil, precisa pensar em como vai pagar esta conta. Ser a sexta economia do mundo tem a ver com isso, embora muita gente não veja a conexão.
A arquitetura jurídica internacional existente ainda não ampara a estes refugiados, que dentro de oito anos serão 320 milhões. “Recusar estas pessoas é a receita para o desastre”, diz o relatório.
Excelente matéria de Eric Nepomuceno, no jornal Página 12, aponta que há dois tipos de recepção para estrangeiros que vêem o Brasil como terra prometida.
Segundo o texto, o governo prepara uma nova política de imigração destinada a profissionais estrangeiros “altamente qualificados”. Isto é, para imigrantes de luxo, especialmente europeus, que poderão entrar em numero de até 400 mil, mais ou menos. Por outro lado, o país permitirá a entrada de 1200 haitianos por ano, por cinco anos.
Nepomuceno lembra que desde 2008, 87 mil espanhóis foram beneficiados pela generosidade brasileira, e ninguém falou de onda de imigração espanhola, como se referem em Brasília aos quatro mil haitianos que fugiram das ruínas em que se transformou seu país desde o terremoto de 2010. “Colas y filas para haitianos, alfombra roja para europeos”.
Na Argentina, a lei de migração (Lei 25.871) é considerada avançada. Sancionada em 2004 e regulamentada no ano passado, reconhece que “o direito a migração é essencial e inalienável da pessoa” e garante ao migrante o acesso a todos os direitos, serviços e bens públicos em igualdade de condições com os cidadãos argentinos, desde que não tenha antecedentes de delinqüência.
Esse achado está numa das ruas mais tranqüilas de San Telmo e é uma delícia para início de noite. Fica em Chacabuco, bem em frente ao edifício Casal de Catalunya e ao teatro Margarita Xirgu.
O lugar é super pequeno, um mini bodegón, com paredes verdes e vermelhas, umas poucas mesinhas antigas de bar, portas e janelas de vidro e um velho mostrador de armazém antigo.
Resumo: simples e charmoso.
Nessa época do ano, melhor chegar cedo e sentar nas mesinhas do lado de fora. No inverno, correndo para dentro!
Um dos fortes da casa são as picadas, com artigos de excelente qualidade e paes caseiros. Mas há também pratos como “fusilis al fierrito con sartén de jamón crudo, champiñones, tomates secos y arvejas” e “carré de cerdo con crocante de hierbas, puré de papas, hongos y vegetales”. Isso sem falar nos sanduíches gigantes.
A Paula, do Sweetestperson fez um post super explicadinho sobre o passeio que a gente fez em San Telmo!
Fiquei devendo para ela uma nova visita, com melhor atendimento, na Kryolan…Nao sei se é porque chegamos meio tarde, às 17h30, ou porque eles se interessam em vender apenas para profissionais, mas o trato foi, como dizer, meio rude. A vendedora não falava, ela gritava.
A Paula, que é hipoacústica e tem um ótimo blog sobre esse tema, o Cronicas da Surdez, nem reparou tanto nos decibéis a mais. Mas eu sim.
Uma pena. Fica o alerta. Aqui não tem nenhuma nota paga. Quando a experiencia é boa a gente fala. Quando não é, também.
A dica deste site foi da Anna Mendes. Chama-seColectivaizeishon e é de um inglês, Daniel Tunnard, que vive há 13 anos em Buenos Aires e tem como “hobby” viajar por todas as linhas de ônibus da cidade, tomando notas, tirando fotos e escrevendo sobre cada uma delas. São 141 linhas no total. Ele faz três viagens por semana, em dias alternados.
Os capítulos falam muito sobre os ônibus, mas também sobre as experiencias de um estrangeiro na argentina e sao publicados em uma coluna semanal no jornal La Razón, chamada Un Inglés en Bondi.A idéia é terminar o projeto no início de marco, que depois se convertirá em livro.
Los colectivos de Buenos Aires son humeantes trampas mortales conducidas por chóferes sobreexigidos, eso ya nadie discute, pero los colectivos también tienen cierto carácter. Carácter en el sentido de que los snacks de maíz con gusto a queso o un Ford Falcon del ‘83 tienen cierto carácter, es decir que sabés que son una mierda pero aun tienen ese no se qué.
“Comprendo muy bien que muchos hombres hayan dejado mejores cartas que libros: es que, quizá sin advertirlo, ponían lo mejor de sí en esos mensajes a amigos o amantes. Yo he escrito muchas cartas y, fuera de las estrictamente circunstanciales (que no se pueden evitar muchas veces), he dejado en cada una de ellas mucho de mí, mucho de lo mejor o lo peor que hay en mi mente y en mi sensibilidad”.
O cronópio não para de aprontar...
Ontem desci inocentemente para buscar o jornal e dei de cara com a manchete da Revista N: a Alfaguara vai editar cinco volumes com mais de 1000 (!!) cartas jamais publicadas de meu escritor preferido.
São correspondências mantidas com a ex-mulher Aurora Bernárdez, Victoria Ocampo, Paco Porrúa,Juan CarlosOnetti, Mario Vargas Llosa, Roberto Juarroz, Guillermo Cabrera Infante, José Bianco e Alejandra Pizarnik, entre outros.
Muitos dos textos não entraram em Papeles inesperados (2009) e Cartas a los Jonquières (2010) e outros foram recuperados em diferentes partes do mundo, como explica a matéria.
Os livros chegam às bancas em fevereiro deste ano.